bad stigma

/POEMAS

A minha escrita representa a morte de mim. Cada peça que escrevo é como a de um quebra-cabeça. Deixo uma versão de mim que possa descansar na poesia. Não como se eu a abandonasse, mas pelo contrário, a eternizo no descanso; como o epitáfio na lápide de um túmulo. Pensamentos que perdem espaço na minha mente e se tornam algo que eu possa observar. Dessa forma eu as revisito e lembro de cada versão que já fui — às vezes o que poderia ter sido; o que não fui; ou até as que são, na verdade, outras pessoas.

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./Liminar.txt

pela janela aberta
memórias escapam
sem lembrança de dias felizes
fiquei confortável, esqueci quando,
com esta vista miserável

tudo que acumulei
um peso sobre meus ombros
é uma carga difícil de suportar
graças aos céus…
dessa casa nada posso levar

olhando à janela aberta
não vejo quem eu era
mas quem eu sentia ser
— um grande liminar
entre mim e aonde quero mudar

talvez me falte sensatez
por ponderar uma ou outra vez:
a única certeza que temos
enquanto seres vivos
é que um dia não mais seremos,
ao menos, quero escolher quando.

2026.11.09