/POEMAS

A minha escrita representa a morte de mim. Cada peça que escrevo é como a de um quebra-cabeça. Deixo uma versão de mim que possa descansar na poesia. Não como se eu a abandonasse, mas pelo contrário, a eternizo no descanso; como o epitáfio na lápide de um túmulo. Pensamentos que perdem espaço na minha mente e se tornam algo que eu possa observar. Dessa forma eu as revisito e lembro de cada versão que já fui — às vezes o que poderia ter sido; o que não fui; ou até as que são, na verdade, outras pessoas.

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Agosto 2026
Maio 2025

./Cada rosto que este rosto viu.txt

Eu me lembro de você
Pois vejo um pouco de ti
toda vez que olho no espelho.
Ainda ouço sua voz
Sempre que tento imitar
seus dialetos e jeito de falar.
Ainda rio das suas piadas
Pois às vezes faço referências
das quais só você entenderia.

Você foi embora —
Na verdade, nós fomos.
Por que eu ainda procuro por você?
Parte de mim me odeia por isso
Mas gostaria de te encontrar,
Poder ter aquela conversa
sobre todas as que não tivemos.

Mas eu já não te reconheceria mais,
E nem você a mim,
Então… podemos nos conhecer?

2026.24.08